4 | a palavra vista – fotografias
a magia do momento que perdura
«É preciso ter paciência para esperar o que vai acontecer. Pois algo vai acontecer, necessariamente.
Na maioria dos casos, não há como acelerar os fatos.
É preciso descobrir o prazer da paciência.»
Sebastião Salgado
A Fotografia tem sido um poderoso aliado
permite-me e faculta-me algum acesso precioso à memória perdida…
Permite-me também arquivar momentos do meu percurso pessoal e artístico e registar de forma mais duradoura alguns dos resultados do meu trabalho.
Mas ultrapassa de longe esse propósito porque vive e brilha sem ele e além dele. É muito mais do que um mero e redutor capricho egoico.
É uma arte maior que se levanta e vive por si. O fugaz e transitório, o efémero prevalece e não morre. Perdura além do micro instante, perpetua-se no tempo esticando e alargando ad eternum o seu.
Fotografar os intervenientes de uma peça de teatro em palco, é um desafio deveras interessante. E eu tive algumas oportunidades de o fazer. De tentar captar esses instantes, essas atmosferas cénicas. Há todo um ambiente rico e atrativo de jogos de forma/luz/cor, cenários, ritmo e movimento das personagens em torno de uma história contida, contada e limitada no tempo e no espaço. Eterniza-se e separa-se um todo que vive autónomo através das suas partes.
Em 2008, fotografar, permitiu-me inclusivé aliar duas paixões, a fotografia e a pintura com a exposição Pontos de Fuga, Pontes de Encontro, no Celeiro de Caldas de Arêgos, no qual explorei a pintura acrílica sobre fotografia impressa em tela. Uma experiência plásticca que me agradou bastante, dois em um.
A Fotografia sacia-me a vista e a alma. Se pudesse, andava sempre de máquina na mão, de máquina no olho. Se o deixar, o olhar fotográfico persegue-me, como provavelmente o fará a qualquer apaixonado pela arte da fotografia.
É uma paixão, que a custo tenho domado e posto de parte… porque me habita no meio de tantas outras.
Cheguei a ter em 2022, quando me dediquei de novo à arte e depois de abandonar o blog (fotográfico), mais de quatro páginas de instagram além da pessoal: uma só a cores, uma mais abstrata e minimalista, uma de colagens, e uma a preto e branco. A página a preto e branco foi-me retirada, penso que em sequência de alguma denúncia por ter algumas fotos alusivas ao cancro. Apesar dos meus esforços, não me foi devolvida.
O livro Ousadias contém fotografias a preto e branco, ainda na era analógica. Fotografias da minha querida amiga Cristina Pinto. Uma nova parceria. A vida e a arte. E a arte de viver a vida.
Entretanto, a máquina descansa e apanha pó na prateleira, a paixão foi um pouco contida e as energias canalizadas noutras direções.
Até um destes dias, que a leve de novo a passear…
Testemunhos