5 | a palavra imaginada – arte

eu invento e recrio o meu mundo

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«Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol. »


Pablo Picasso

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courela

Desde pequena que gosto de desenhar.

Mas normalmente estragava tudo quando pintava o que desenhara. Pelo menos era o que eu sentia.  Só depois dos estudos académicos superiores é que me libertei desse pêso.
Fiz um percurso menos convencional, mas acabei, ainda que bastante insegura e a sentir-me muito inadaptada e desenquadrada, por fazer estudos em Arte.

Talvez por isso, por ter seguido primeiro Ciências e me ter fascinado por Biologia, tenha ganho o gosto pela abstração, pelas formas dos organismos unicelulares, pelas células e todo um mundo vivo, orgânico, invisível e micro, de detalhe, mas também de precisão. A pequena escala, a riqueza do pormenor e a variedade natural, sempre me fascinaram. 

Costumo dizer que Deus é um grande artista, sempre que vejo um novo animal ou ser vivo na sua inesperada e inacreditável profusão de cores, formas e tamanhos. 

A Natureza dá-me o mote, seduz e inspira, não apenas para reproduzi-la, mas para a minha própria criação além de recriação. 

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Gosto da linha e do ponto e de tudo aquilo que sem esboço, esquisso ou préconceção, posso fazer com eles. É uma liberdade incrível. 

Por isso deixo-os ir livres, divago e divirto-me sem meta ou direção pré estabelecida. Deixo a linha passear pelo papel. Deixo a cor alastrar e pedir mais cores ou mais espaço. Escuto e sinto os elementos conversar uns com os outros e decidirem quem querem ter para conversar, para estar a seu lado. Sem estarem todos de acordo e afinados uns com os outros, não sossego.

Gosto sobretudo e tendencialmente do pensamento e registo abstracto. Não há conceitos, nem regras, nem definições, nem barreiras. Tudo é eminentemente possível, desde que eu queira ou deixe. Arrisco, sem medo de estragar o que já foi feito, com uma liberdade (só aqui) quase sem limites. Os limites estão nos materiais ou no espaço ou em última instância, na minha resistência física. Às vezes, tenho que me obrigar a parar, a dizer chega tal a necessidade ou impulso de acrescentar, de continuar. 

Apesar de gostar do minimalismo, há um certo gosto pelo rococó, pelo detalhe e a profusão do traço. E tudo vale e tudo é certo, desde que me satisfaça em primeira instância. Faço, estrago, refaço. Arrisco sem medo de errar.

O orgânico ondulante fluído como as algas ou as ervas, coabita com geométrico e estruturado e vence, apenas porque predomina. São linhas, curvas ou retas e a ambas recorro. Tenho um lado subversivo que me leva a interromper uma qualquer geometria rígida ou fixa e a introduzir alguma componente ou elemento diferente ou externo. 

O figurativo continua a ser interessante, recurso para retratos, caricaturas, paisagens. Mas estas, acabam sempre por ser mais imaginadas e fictícias do que reais. Não me seduz só reproduzir o real. Só na fotografia e através dela. Nas outras artes, o real é o ponto de partida, a memória, o sonho.

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As artes permitem e aproveitam diferentes e variadas formas de expressão. São tão ricas e prolíferas que possibilitam uma infinidade de combinações, tantas quantas as idiossincrasias e necessidades humanas de singulares e únicas expressões. 

Tudo é permitido, e é tão fantástico ver e testemunhar essa profusão! E essa necessidade e capacidade humana de recriar e de se expressar usando tudo, mas tudo o que se quiser.

Desde a costura, ao crochet, às colagens, ao ‘lixo’, às raízes, troncos, folhas, pedras e outras formas orgâncias. O mundo oferece-nos uma variedade ínfima de itens e formas de nos expressarmos até, as efémeras. E acredito que todos, mas Todos, temos cá dentro a capacidade inata criativa e que para nosso próprio bem, a deveríamos pôr ao serviço. E CRIAR.  

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Testemunhos

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