6 | a palavra materializada – cerâmica
a terra, o barro, a transformação
«A dor passa, a beleza fica.»
Pierre August Renoir
Entrei no mundo da cerâmica através do escultor António Nobre.
Frequentei a Ástula, o seu atelier, num curso de dois anos. Nesse período, foi-me apresentado diferentes formas de trabalhar o barro, diferentes formas de expressão através da Cerâmica, essa arte maior.
Eu estava a refazer estudos para fazer a transição de ciências para artes. Um dos primeiros conceitos artísticos que guardo até hoje, aprendi com ele. E a observar a beleza e estética do seu trabalho, foi inspirador.
Foi paixão e fascínio ao primeiro olhar, ao primeiro toque. Ou não fosse eu nativa de Touro. Explorar as imensas capacidades técnicas através da sua tutoria foi uma descoberta para um novo mundo.
E é com grande carinho que recordo esses tempos. E a alegria em torno do técnico olarista Zé Maria, que nos levantava com graça, engenho e técnica, as peças que desenhávamos e concebíamos para depois serem trabalhadas por nós.
Na faculdade, tive dois anos de ateliers de cerâmica, mas sem o brilho e alegria que já experimentara antes.
A vida e outras necessidades de expressão e escolhas, não proporcionaram a continuação, nem a prática da arte.
É um caminho que há muitos anos desejo mas não sei se a ele algum dia voltarei.
Fica o registo de alguns desses trabalhos antigos.